
Tentei perceber se quem havia feito tal proeza ainda estava dentro de casa. Fiz silêncio absoluto. Lá no fundo ouvia um estranho zumbido de vozes. Parecia vir da sala. Não hesitei, rapidamente levantei-me e desci as escadas. As minhas mãos suavam e iam deixando um rasto ao longo do corrimão. Conforme me aproximava, o volume aumentava, mas a minha percepção permanecia igual. Simplesmente não percebia nada do que estava a ouvir.
Não podia ter medo, nem muito menos fugir da minha própria casa. Estava na hora de enfrentar fosse quem fosse, já tinha passado por momentos mais complicados contigo certamente! Mas tudo aconteceu muito rápido, demasiado rápido. Mal coloquei a cabeça dentro da sala, apenas tive tempo de me tentar virar para fugir.
Era tarde demais. O estoiro pareceu-me mais lento do que a bala a perfurar-me, tentei resistir, mas tudo naquele momento era mais forte que eu. A pessoa corajosa que tinha acordado acabava de ter encontrado o seu próprio fim. Soube que ia acabar assim o dia em que a minha rotina mudou, o dia em que por breves momentos te dei a importância devida, o dia em que te vi pela última vez na foto que me deixaste no dia que partiste.


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